terça-feira, 3 de julho de 2018


Sementes coloridas

      Era um sábado de trabalho para mim. Diferente dos “dias de semana” fiz uma maquiagem. Delineador, batom forte.  “Eita, tá linda, Gil. Vai badalar?”, um colega perguntou. “Nada. Vou alí no Bairro São José encontrar uns amigos.” Como já esperava ví espanto no rosto dele. E cá comigo pensei: como é que isso ainda acontece, heim? Ao chegar no Bairro pedi informação a duas senhoras. Elas também me olharam espantadas. “Geralmente perguntam como chegar no shopping e não na ponte”, disse uma delas. Cheguei no mutirão para ver o trabalho de amigos e fotografar. Não tenho habilidade “para os muros” mas queria dar uma singela contribuição de alguma forma. E os melhores registros ficaram em mim, não na câmera.


     Vi crianças felizes em participar, fazendo do ato de tirar um papel para um sorteio, um campeonato onde regras tinham que ser seguidas para que todos “jogassem”. Vi senhoras colocarem cadeiras na calçada num verdadeiro camarote. Vi artistas de estado vizinho querendo compartilhar arte. Vi moradores comentando sobre os trabalhos como verdadeiros críticos e outros que fizeram daquelas paredes um cenário ideal para uma foto.




      Mais que uma reunião de amigos que querem fortalecer a cena. O mutirão é uma forma de mostrar para aquelas pessoas que elas também podem ter cor na vida delas, que podem aprender. O mutirão é uma forma de mostrar para quem nem tenta chegar perto da comunidade que ali é outro mundo sim, mas que não é que porque é mais pobre que outros que não tem seu valor, que não tem pessoas iguais a quaisquer outras que também querem fazer parte.









      Não se sai de um evento como esse sem levar nada consigo. Não se sai de um evento desse sem deixar nada de si. Saí de lá pensando no próximo. Sim, naqueles que estavam perto de mim e no próximo São Grafitti. A semente foi plantada e vai florescer. Que haja cor!




 Texto e Imagens : Gilmara Dias 
Evento produzido pelo coletivo acervo03 no Bairro São José em João Pessoa- PB no dia 16/06/2018
agradecimentos especiais para Museu Graffiti 



sábado, 7 de junho de 2014

Exposição de Beatriz Milhazes

O acervo03 esteve ontem dia 07/06/2014 na abertura da exposição da renomada artista Beatriz Milhazes, que está no SESC Cabo Branco com visitação aberta ao publico. Essa exposição faz parte do   Projeto ArteSesc, que já trouxe para João Pessoa outras importantes exposições como a de Claudio Tozi, por exemplo. 
A noite foi muito agradável, o SESC sempre serve um coquetel impecável e boa musica pra acompanhar as exposições.

Ontem tivemos o Quarteto de Trombones.
 Paulo Aurélio, que é coordenador das Artes Visuais do SESC, sempre está presente nas vernissages dando atenção a todos com simpatia que lhe é característica.
Beatriz Ferreira Milhazes é carioca, pintora e gravadora, ilustradora e professora. Segundo o critico
Frederico Morais, a artista revela, desde o início da carreira, a vontade de enfrentar a pintura como fato decorativo, aproximando-se da obra de artistas como Henri Matisse . Interessa-se pela profusão da ornamentação barroca, sobretudo pelo ritmo dos arabescos e pelos motivos ornamentais presentes na obra de Guignard .
A exposição chama-se “Um itinerário gráfico”, são  nove trabalhos  belíssimos que vale a pena ver de perto pois sua  a técnica é impecável.  
Numa conversa com o professor Silvino Espinola, podemos debater sobra a importância de trazer para a cidade essas exposições de artistas renomados. Sabemos que em João Pessoa não é sempre que temos a oportunidade de ver exposições importantes como essa e Silvino ressaltou a importância didática de trazer esses artistas com suas mais variadas técnicas. 





 Que venham mais exposições, para que possamos não só aprecia-las mas também levar nossas crianças e alunos pra interagir com arte a contemporânea que está nos grandes circuitos do Brasil

texto: Cybele Dantas
fotos: Pedro Granjeiro

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Diário de Café

Diário de café é inspirado em um antigo estabelecimento comercial na Rua da República, no centro Histórico de João Pessoa, que servia café da manhã e almoço até o meio-dia, servia lanches até as dezoito horas, e à noite funcionava como bar frequentado por estudantes, artistas, mulheres do varadouro e outros poetas da noite.
 Esse ambiente é usado como tema para uma poética de inserção de conteúdos alternativos em sítios históricos em processo de abandono. O tratamento ficcional dado àquele estabelecimento que transformava-se a cada turno em função das mudanças de interesse do público permite a reconstituição de cenas do cotidiano com base nessa diversidade. A simulação de traços de batom, lágrimas e outros resíduos deixados sobre as toalhas das mesas, exibidos durante o dia como os sobejos da noite anterior, podem ser considerados os indícios de acontecimentos diversos e dos seus protagonistas. Nesse mesmo contexto o perfume de Gardênia que também é um bolero, descreve aspecto do ambiente e dos personagens imaginários que desencadeiam-se conforme as ocorrências de ordem passional, policial ou de outra natureza, na mesma proporção em que ocorrem também as transformações do ambiente.


 Chico Dantas


Esse é o trabalho de pintura mais recente do artista visual Chico Dantas. Neste trabalho ele faz uma mistura de fotografia digital plotada e pintura com tinta acrílica. O resultado são telas de 1,25X 1,80m que dão a impressão que estamos dentro do Café Republica. 






quinta-feira, 22 de maio de 2014

Aula de História da Arte

Quem já passou pelo curso de Educação Artística e o de Artes Visuais da UFPB conhece bem o Professor Doutor Gabriel Bechara Filho, até hoje só ouço as mesmas opiniões sobre suas aulas: suas aulas são ótimas, ele é uma enciclopédia, ele sabe muito...
Nos do acervo03 temos muito orgulho de te-lo como professor. Ontem o acervo esteve presente na aula que  Gabriel está ministrando toda quarta feira de 17:00 as 20:00h no CCTA, laboratório de Cerâmica, na UFPB, uma aula de extensão de tópicos da História da Arte.
Informação nunca é de mais e assistir aula com esse mestre que ama o que faz, e honra sua profissão, é muito importante para nossa formação.
Para que possamos escrever, trabalhar e lidar com arte e com artistas é preciso estudar sempre! Por isso que toda quarta feira o acervo03 estará assistindo essa aula com muito prazer.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Renda Cidade




O trabalho RENDA CIDADE consiste na manipulação de desenho digital de traçados urbanos. O artista recorta um pequeno trecho do mapa urbano e o espelha para criar uma nova imagem semelhante à de um caleidoscópio, porém para Antônio Filho o resultado estético representa uma renda.  
Segundo o artista, a renda que é tão comum na tradição nordestina, está presente em sua memória desde a infância, na peças encontradas na casa de sua mãe. A cor vermelha que está sempre presente em seus trabalhos remete ao "homem como o sangue que dá vida as cidades".
Se observarmos os outros trabalhos de Antônio Filho, veremos que os traçados urbanos e as topografias, representadas também nas rendas, são o ponto comum de sua obra, quando ele faz a relação direta do homem com a cidade e como esse homem pode manipular a cidade e o ambiente natural, transformando-o para criar o meio urbano.
A RENDA CIDADE, portanto é mais uma de suas "brincadeiras" com os traçados urbanos e imagens que o artista constrói.
O acervo preparou essas canecas exclusivas com numero de série limitado, e certificado de autenticidade  assinado pelo artista.

 Interessou? Manda um e-mail pra 03acervo@gmail.com  



conheça outros trabalhos de Antônio Filho no seu flickr:


https://www.flickr.com/photos/781201antonio_filho/

Cybele Dantas





quarta-feira, 23 de abril de 2014

Documentário: Cinzas e neve, do fotógrafo e cinegrafista Gregory Colbert.

"Essas são algumas cenas do extraordinário documentário “Cinzas e neve” (2005), do fotógrafo e cinegrafista Gregory Colbert, que explora a interação entre humanos e animais. Narrado por Laurence Fishburne, apresenta uma fotografia belíssima e texto bastante poético. Todas as imagens não foram manipuladas por computador, sendo exatamente como viu o artista. Uma obra bem particular, que transmite muita PAZ, algo que está bastante escasso atualmente.
“Ashes and Snow” (Cinzas e neve), se tornou uma instalação composta de filmes e fotografias de enormes proporções, captados pelo fotógrafo durante 15 anos, em suas mais de 40 viagens a diversas regiões, como a Índia, a Namíbia, o Egito e a região de Bornéu, entre outros belos lugares.
A exposição já foi vista por mais de 10 milhões de pessoas, tornando-se a exposição de um artista vivo mais vista de todos os tempos."





terça-feira, 15 de abril de 2014

Xilogravura

Xilogravura é a técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outros suportes.




Etimologicamente a palavra xilogravura é composta por xilon, do grego, e por grafó também do grego. Xilon significa madeira e grafó é gravar ou escrever. Portanto a xilogravura é uma gravura feita numa matriz de madeira
 Os instrumentos necessários para sua realização são: goivas, facas, formão , buril, etc.



Podemos dizer que a xilogravura é uma espécie de carimbo.
Há duas técnicas de xilogravura, dependendo do modo como a madeira é cortada. Se cortada em tábuas, no sentido vertical, da árvore em pé, ao comprimento de sua fibra, chama-se de xilogravura de fibra. Se a madeira for cortada no sentido horizontal da árvore  em pé, chama-se de xilogravura de topo.
As prováveis origens da xilogravura remetem à cultura oriental. Segundo historiadores, a xilogravura foi criada pelos chineses e já era praticada por este povo desde o século 6. Durante a Idade Média, a xilogravura firma-se no ocidente, ganhando inovações durante o século 18. Com sua difusão por diversos países, acabou chegando às nações européias, onde influenciaram as artes do século 19 e ajudaram Thomas Bewick a criar a técnica da gravura de topo, diminuindo os custos de produção industrial de livros ilustrados e iniciando a produção em larga escala de imagens pictóricas.
Na gravura moderna os artista assinam suas provas uma a uma com lápis grafite e enumeram cada uma, limitando o numero de série, sendo assim o artista se compromete a não imprimir mais que o numero de série.
Quando o artista escreve PA na gravura significa dizer que aquela é a prova do artista, a partir daí ele vai fazer sua tiragem. Quando estiver escrito PE  significa prova de estado.
Na hora de imprimir o arista tem que tomar cuidado com a limpeza do papel para que a matriz não borre-o. A impressão  pode ser feita com a pressão da própria mão, usando uma colher ou espátula de madeira, por fricção  nas costas do papel.

O contato entre diversas culturas, como a brasileira e a portuguesa, ocasionou o surgimento da xilogravura popular brasileira. Os portugueses já utilizavam a técnica que, quando trazida para o Brasil, desenvolveu-se na Literatura de Cordel. Com isso, diversas obras foram produzidas com a utilização da xilogravura, formando diversos xilógrafos, principalmente na Região Nordeste do país.
Gilvan Samico, Abraão Batista, Amaro Francisco, José Costa Leite, José Lourenço e J. Borges estão entre os principais xilógrafos brasileiros.
A xilo é também  muito encontrada na literatura de cordel. A imagem mais característica dos folhetos é sempre  uma xilogravura impressa na capa.
Um artista paraibano muito importante é José Altino que trabalha com xilogravura a mais de 40 anos e é um dos artista pioneiros no Programa de Artesanato Paraibano.

 Nos anos 60 José Altino estudou com grandes nomes da arte brasileira como Gilvan Samico e Emanoel Araújo. Estudou na Escola de Arte do Brasil e na Escola Nacional de Belas Artes.



Referencias
http://pt.wikipedia.org/wiki/Xilogravura
http://artepopularbrasil.blogspot.com.br/2013/03/jose-altino.html
http://www.casadaxilogravura.com.br/xilo.html
http://www.infoescola.com/artes/xilogravura/
http://www.folhabv.com.br/Noticia_Impressa.php?id=101005
SCHILLING, Angella. ANÁLISE E BREVE HISTÓRIA DA XILOGRAVURA, Porto Velho - RO, 2009.