Sementes
coloridas
Era um sábado de trabalho para mim.
Diferente dos “dias de semana” fiz uma maquiagem. Delineador, batom forte. “Eita, tá linda, Gil. Vai badalar?”, um
colega perguntou. “Nada. Vou alí no Bairro São José encontrar uns amigos.” Como
já esperava ví espanto no rosto dele. E cá comigo pensei: como é que isso ainda
acontece, heim? Ao chegar no Bairro pedi informação a duas senhoras. Elas
também me olharam espantadas. “Geralmente perguntam como chegar no shopping e
não na ponte”, disse uma delas. Cheguei no mutirão para ver o trabalho de
amigos e fotografar. Não tenho habilidade “para os muros” mas queria dar uma
singela contribuição de alguma forma. E os melhores registros ficaram em mim,
não na câmera.
Vi crianças felizes em participar, fazendo
do ato de tirar um papel para um sorteio, um campeonato onde regras tinham que
ser seguidas para que todos “jogassem”. Vi senhoras colocarem cadeiras na
calçada num verdadeiro camarote. Vi artistas de estado vizinho querendo
compartilhar arte. Vi moradores comentando sobre os trabalhos como verdadeiros
críticos e outros que fizeram daquelas paredes um cenário ideal para uma foto.
Não se sai de um evento como esse sem
levar nada consigo. Não se sai de um evento desse sem deixar nada de si. Saí de
lá pensando no próximo. Sim, naqueles que estavam perto de mim e no próximo São
Grafitti. A semente foi plantada e vai florescer. Que haja cor!
